- Fotógrafo: Pedro Henriques
- Equipamento: Canon EOS R5 com objetiva de distância focal 24 mm
- Definições: f/16
- ISO 50
- Exposições de 13s e 20s
- Filtros usados: ND 6 stops, soft grad 3 stops, filtro polarizador — todos da marca LEE Filters
- Fotografias realizadas no dia 10 de Junho de 2025, por volta das 18h30
- Local: Cais dos Moliceiros, Torreira
- Localizaçao de GPS: https://maps.app.goo.gl/2p1vNcCwTMTAdrij6
Já conheces as expedições fotográficas ao Caramulo?
— Estiveste recentemente a fotografar no Cais dos Moliceiros, na Torreira. O que te levou a escolher esse lugar?
(Pedro): Foi a primeira vez que lá estive, mas já há bastante tempo que queria ir. O lugar tinha-me ficado na cabeça — via fotografias, lia relatos, e sentia que havia ali uma atmosfera especial. Quando finalmente consegui ir, fui com tempo. Queria estar ali, sem pressa, e perceber como o lugar reagia à luz e ao silêncio. E foi isso que tentei fotografar: a pausa, o espaço, o tempo parado.
— Fizeste duas fotografias com composições semelhantes, mas com intenções diferentes. Podes explicar?
(Pedro): Sim. Tecnicamente, usei a mesma objetiva com distância focal de 24 mm, montada numa Canon EOS R5, e os mesmos parâmetros base. Mas a forma de olhar o lugar foi diferente.Na fotografia horizontal, optei por uma visão mais elevada, centrada, limpa. Quis sugerir serenidade e estrutura — que a imagem nos levasse para o horizonte.Na fotografia vertical, baixei a câmara e deixei que o chão imperfeito, húmido, gasto ganhasse protagonismo. Queria que se sentisse ali a matéria, a passagem do tempo pelas tábuas.
— O tempo de exposição foi determinante para esse efeito?
(Pedro): Sim, completamente. Foram 13 segundos na fotografia horizontal, 20 segundos na vertical. O uso de filtros permitiu-me prolongar esse tempo mesmo em plena luz. Com isso, a água tornou-se espelho, o céu ganhou arrastamento, e o tempo ficou mais fluido. Essas exposições longas não são só técnicas — são formas de mostrar que o tempo ali passa devagar.
— Que filtros usaste para conseguir esse efeito?Usei três em conjunto:
- Um filtro ND de 6 stops, para cortar a luz geral e alongar a exposição;
- Um filtro graduado suave de 3 stops, para equilibrar a diferença entre o céu e o primeiro plano;
- E um filtro polarizador, que ajudou a cortar reflexos indesejados e aumentar o contraste, sobretudo nas tábuas de madeira molhada.Todos os filtros usados são da marca LEE Filters — pela fiabilidade, qualidade óptica e consistência cromática.
— A corda parece ter um papel importante nas duas imagens. Coincidência?
(Pedro): Foi uma boa surpresa. Na fotografia horizontal, funciona quase como um contraponto visual: quebra a rigidez da composição e introduz uma linha ondulante, cheia de carácter. Na vertical, ela reforça a leitura do chão — é um elemento que pertence ao lugar, e dá-lhe identidade.
— E em termos de definições técnicas, como configuraste a câmara?
- Canon EOS R5 com objetiva de distância focal 24 mm
- Abertura f/16: para profundidade de campo total
- ISO 50: para manter a qualidade e compensar os filtros
- Tempos de exposição longos: 13s e 20s
- Tripé robusto
- Filtros: ND, grad suave e polarizador da LEE Filters
— Para quem está a começar, podes explicar como essas escolhas técnicas influenciam o resultado final?
(Pedro): Claro.
A distância focal de 24 mm proporciona um campo de visão amplo, ideal para incluir tanto o chão como o céu na composição e reforçar a sensação de profundidade.
O f/16 garante nitidez em toda a imagem, desde os primeiros centímetros até ao infinito.
O ISO 50 é ideal quando não temos pressa: máxima qualidade, mínimo ruído.
Os filtros são essenciais para controlar a luz: permitem trabalhar com tempo, não contra ele.
Mas acima de tudo, a técnica deve servir o que queremos expressar. E aqui, a intenção era clara: mostrar o tempo como ele não se vê — mas se sente.
— Se tivesses de resumir estas duas imagens em duas palavras, quais seriam?
(Pedro): A fotografia horizontal: silêncio.A fotografia vertical: presença.
— E o que gostarias que quem vê estas imagens sentisse?
(Pedro): Que compreendessem que fotografar é mais do que captar uma imagem — é captar um estado. Uma sensação. Que a fotografia pode ser lenta, ponderada, quase meditativa.E que às vezes, vale a pena não ficar pela primeira fotografia. Porque a horizontal mostra o que vês, mas a vertical mostra o que sentes.
— Para quem está a começar, e se sente atraído por este género de fotografia mais contemplativa e técnica — que conselhos darias?
(Pedro): O mais importante é não ter pressa. Este tipo de fotografia convida-te a parar, observar, sentir o lugar. Começa por ir a sítios que te toquem — mesmo que não sejam “icónicos”. O essencial é aprenderes a ver antes de disparares.
Investe num tripé estável. Aprende a usar o modo manual da tua câmara. E explora as longas exposições com a luz natural disponível — mesmo sem filtros no início. Quando sentires que queres mais controlo, então sim, experimenta com filtros ND ou polarizadores.
E acima de tudo: não esperes pelo equipamento ideal. Começa com o que tens. O que importa é o tempo que dedicas a olhar — e a forma como decides transformar esse tempo em imagem.
Secção Técnica Rápida (para Iniciantes)
Equipamento usado:
- Canon EOS R5 com objetiva de distância focal 24 mm
- Tripé
- Filtros LEE: ND 6 stops, Graduado suave 3 stops, Filtro polarizador
Definições:
- f/16
- ISO 50
- Exposições: 13s (horizontal) e 20s (vertical)
Objetivo: Criar imagens com tempo alisado, texturas reais e contraste equilibrado entre céu e chão.
Sobre o autor das fotografias
Pedro Henriques é fotógrafo a residir em Tondela, com interesse particular por longa exposição, macrofotografia, fotografia de eventos e composições construídas com cuidado e uma abordagem contemplativa à imagem.








