Há eventos a que vamos essencialmente pela música e outros que acabam por representar muito mais do que aquilo que acontece em palco. Para mim, o Faro Alternativo pertence claramente a esse segundo grupo. É música, naturalmente, mas é também ambiente, amizade, reencontros e aquela sensação particular de voltar a encontrar pessoas que fazem parte deste universo da música alternativa e pesada.
A 16.ª edição do Faro Alternativo realizou-se entre 2 e 4 de outubro de 2026, no Passeio Ribeirinho de Faro, numa organização da A3 — Associação Algarve Alternativo. Durante três noites, o festival voltou a reunir diferentes linguagens do punk, hardcore e metal, juntando bandas portuguesas e internacionais.
Estive presente no sábado, dia 3, e desta vez levei também a câmara. Acabei assim por juntar duas coisas de que gosto muito: fotografia e música alternativa.
Mais do que regressar a casa simplesmente com fotografias das bandas, interessava-me viver o evento e tentar guardar através da fotografia alguma coisa daquilo que estava a acontecer: a luz, a energia, os músicos, o público, os amigos e aqueles pequenos momentos que inevitavelmente desaparecem assim que o concerto termina.
Avulsed — intensidade, proximidade e relação com o público
Nos Avulsed, a energia da atuação estava muito ligada à presença do vocalista e à proximidade com o público. Procurei aproveitar esses momentos de maior intensidade, alternando entre enquadramentos mais fechados, onde a expressão e o gesto assumem o protagonismo, e imagens mais abertas que mostram a banda, o palco e a reação de quem estava à frente.
A iluminação ajudou bastante a construir essa sensação, sobretudo através dos vermelhos fortes, dos feixes de luz e dos contraluzes, que davam profundidade às imagens e reforçavam o ambiente do concerto. Em algumas fotografias, o público torna-se também parte importante da composição, ajudando a mostrar que a energia não estava apenas em palco, mas na relação constante entre banda e audiência.
Nesta sequência quis manter precisamente essa ideia: força, movimento e proximidade. Depois de ter visto os Avulsed cerca de sete anos antes, em Viseu, foi particularmente interessante voltar a fotografá-los agora e tentar transformar essa intensidade em imagens que não fossem apenas registo, mas também memória da experiência.
Entre assistir ao concerto e fotografá-lo
Levar a câmara coloca-nos numa posição curiosa. Estamos ali porque queremos ouvir música, mas ao mesmo tempo passamos parte do concerto à procura de fotografias.
Quando estou simplesmente a assistir, deixo-me levar sobretudo pela música. Quando estou a fotografar, continuo naturalmente a ouvi-la, mas começo também a observar tudo de outra maneira. Reparo mais na posição dos músicos, na forma como se movimentam, nos momentos em que se aproximam da frente do palco, nas expressões e, acima de tudo, na maneira como a luz transforma constantemente aquilo que temos diante da câmara.
Mas também considero importante haver momentos em que simplesmente baixo a câmara.
Não preciso de fotografar cada segundo de uma atuação. Ouvir a música, observar o palco e perceber o comportamento dos músicos sem estar permanentemente com o olho no visor também faz parte da experiência e, curiosamente, pode ajudar a fotografar melhor.
Quando deixamos de perseguir constantemente imagens, começamos a perceber melhor o ritmo do concerto. Observamos como determinado músico se movimenta, onde costuma parar, como reage a determinadas partes da música e em que momentos alguma coisa interessante poderá acontecer.
Fotografar um concerto não deve significar deixar de viver o concerto.
Para mim, a fotografia acontece dentro dessa experiência, e não separada dela.
Fotografar com a luz que encontramos
Tenho escrito várias vezes neste blog que a luz é a matéria-prima da fotografia. Antes da câmara, da objetiva ou da edição, existe a luz. É ela que torna possível a fotografia e é também ela que condiciona grande parte das decisões que fazemos.
Num concerto, esta ideia torna-se ainda mais evidente.
Ao contrário de uma sessão em que podemos controlar a iluminação, alterar a potência de um flash ou pedir à pessoa fotografada que mude ligeiramente de posição, num concerto recebemos aquilo que o palco nos oferece.
A iluminação pode mudar completamente em poucos segundos. Um rosto pode estar perfeitamente iluminado e desaparecer logo depois na sombra. Podemos passar de uma luz vermelha muito intensa para um azul profundo ou encontrar um contraluz que transforma praticamente todo o músico numa silhueta.
Não controlamos essa luz e, para mim, nem devemos tentar lutar permanentemente contra ela.
O desafio está precisamente em observar, compreender e utilizar aquilo que encontramos.
Nos meus artigos anteriores sobre fotografia de concertos tenho insistido precisamente nesta ideia: as luzes de palco fazem parte do ambiente e da identidade visual daquele concerto. Corrigir tudo até obtermos uma imagem neutra pode significar retirar à fotografia parte daquilo que sentimos quando estávamos lá.
Morte Incandescente — quando a luz faz parte da identidade
Nos Morte Incandescente, a própria estética do concerto acabou por definir a abordagem fotográfica. A iluminação vermelha, o fumo e as sombras profundas criaram um ambiente visual muito forte, onde não fazia sentido tentar neutralizar a cor ou tornar tudo demasiado limpo. O vermelho fazia parte do momento e, por isso, fazia também parte das fotografias.
Procurei sobretudo trabalhar a relação entre luz, movimento e presença em palco. O cabelo em movimento, as posições dos músicos, as formas das guitarras e o fumo iluminado criavam constantemente novas composições. Nem sempre era necessário mostrar perfeitamente o rosto; por vezes, um gesto, a posição do corpo ou uma silhueta transmitiam melhor a energia do concerto.
A opção pelo preto e branco em algumas imagens permitiu ainda uma leitura diferente, retirando o domínio da cor e dando maior importância ao contraste, às formas e aos gestos. Esta sequência resume bem aquilo que procuro na fotografia de concertos: utilizar a luz, o movimento, as sombras e a atmosfera do palco para criar imagens que conservem parte da energia daquele momento.
Nem sempre a luz interessante é a luz fácil
Há outra diferença importante: uma luz interessante para quem está a assistir não é necessariamente uma luz fácil para fotografar.
Um palco pode ser visualmente fantástico e ao mesmo tempo extremamente exigente para a câmara. Podemos ter um projetor muito intenso sobre uma pequena zona, rodeada por sombras profundas, ou uma determinada cor a dominar completamente o rosto dos músicos.
É precisamente nessas situações que tento não pensar apenas em corrigir aquilo que está a acontecer.
Se aquela luz vermelha faz parte daquele momento, talvez deva continuar vermelha. Se apenas uma pequena zona do rosto está iluminada, talvez seja exatamente aí que esteja a fotografia.
A experiência vai ensinando-nos a distinguir uma fotografia que está simplesmente mal exposta de uma fotografia que deve ser escura.
São coisas muito diferentes.
Expor não significa mostrar tudo
Quando começamos a aprender fotografia existe frequentemente a ideia de que uma fotografia corretamente exposta deve apresentar detalhe praticamente em toda a imagem.
Num concerto, essa abordagem nem sempre faz sentido. A escuridão também faz parte daquele ambiente.
Se um palco está mergulhado em sombras e apenas uma parte do rosto de um músico recebe luz, tentar recuperar todos os detalhes pode retirar à fotografia precisamente aquilo que a tornava interessante. Uma pequena zona iluminada pode ser suficiente para conduzir o olhar e transmitir muito melhor a atmosfera daquele momento.
Por isso, a pergunta que me interessa não é apenas “esta fotografia está bem exposta?”, mas antes “está exposto aquilo que quero mostrar?”.
Se naquele momento o que me interessa é a expressão do vocalista, quero preservar essa expressão. Se uma faixa de luz atravessa o rosto de um guitarrista enquanto todo o resto desaparece na sombra, talvez seja precisamente essa relação entre luz e escuridão que faça a fotografia funcionar.
Nem sempre precisamos de ver tudo. E talvez esta seja uma das aprendizagens mais importantes quando começamos a fotografar em ambientes difíceis: a sombra não é necessariamente um problema que precisa de ser resolvido.
O fotómetro mede a luz, mas não conhece a fotografia que queremos fazer
Num ambiente de concerto percebemos rapidamente os limites de uma leitura puramente técnica da exposição.
Podemos ter grande parte do enquadramento praticamente negra e, ao mesmo tempo, uma pequena zona extremamente iluminada. O fotómetro tenta interpretar essa distribuição de luz, mas não sabe qual desses elementos é importante para nós.
Como expliquei no artigo sobre modos de medição da luz, a medição pontual pode ser particularmente útil precisamente em situações de elevado contraste, como um rosto iluminado contra um palco predominantemente escuro.
Mas mesmo aqui existe uma ideia que considero fundamental: o fotómetro dá-nos uma referência, não uma obrigação. Somos nós que precisamos de decidir aquilo que queremos preservar.
É também por isso que gosto de trabalhar em modo Manual neste tipo de situação. Depois de encontrar uma exposição adequada para determinadas condições de palco, consigo manter alguma consistência e dedicar mais atenção ao que realmente interessa: aquilo que está a acontecer à minha frente.
Conhecer a técnica para pensar menos nela
Pode parecer contraditório, mas uma das grandes vantagens de conhecermos bem a técnica é conseguirmos pensar menos nela quando estamos a fotografar.
Num concerto tudo acontece demasiado depressa para estarmos permanentemente a olhar para a câmara. Se passarmos grande parte do tempo a alterar configurações, navegar nos menus ou verificar cada fotografia no ecrã, provavelmente estaremos a perder acontecimentos importantes à nossa frente.
A abertura, a velocidade e o ISO continuam naturalmente a ser fundamentais. Uma objetiva luminosa facilita o trabalho, precisamos de uma velocidade que acompanhe o movimento e, em condições de pouca luz, trabalhar com valores de ISO elevados faz simplesmente parte do processo.
Já desenvolvi bastante essas questões no artigo Fotografia de concertos: configurações, lentes e método pessoal e noutros conteúdos dedicados a fotografar concertos de metal em pouca luz.
Não quero, por isso, transformar este texto em mais um artigo sobre valores de abertura, velocidade ou ISO.
Aqui interessa-me outra coisa: o que fazemos depois de a técnica estar minimamente resolvida.
Porque, quando deixamos de estar constantemente preocupados com a câmara, começamos finalmente a olhar verdadeiramente para aquilo que está à nossa frente.
Fotografar é também antecipar
À primeira vista, tudo num concerto parece imprevisível. No entanto, depois de observarmos determinado músico durante algum tempo começam a surgir padrões.
Percebemos que o vocalista costuma afastar-se e regressar ao microfone de determinada maneira, que o guitarrista se aproxima frequentemente da frente do palco ou que certos movimentos surgem repetidamente durante a atuação. Até a iluminação pode começar a revelar algum tipo de sequência.
É nesse momento que deixamos simplesmente de reagir e começamos a antecipar.
Podemos escolher previamente o enquadramento e esperar que o músico entre naquele espaço. Podemos perceber que determinada luz poderá regressar e aguardar mais alguns segundos. Podemos preparar-nos para um gesto em vez de tentar fotografá-lo apenas depois de ele acontecer.
A luz desaparece precisamente naquele instante, o músico vira a cabeça, alguém passa à nossa frente, o foco não acompanha ou carregamos no obturador um pouco cedo ou um pouco tarde.
Mas é precisamente essa imprevisibilidade que torna especial o momento em que tudo coincide.
Quando a luz aparece onde queríamos, o gesto acontece, a expressão funciona e o enquadramento já estava preparado, fazemos uma fotografia que dificilmente conseguiríamos repetir exatamente da mesma forma.
Capela Mortuária — contraste, gesto e presença em palco
Nos Capela Mortuária, procurei trabalhar sobretudo o contraste entre a luz intensa e as zonas mais escuras do palco. Os focos traseiros e laterais criavam recortes muito fortes nas figuras, permitindo explorar silhuetas, contraluz e feixes de luz como parte da composição, sobretudo nas imagens a preto e branco.
A atuação ofereceu também muitos momentos interessantes pela forma como os músicos ocupavam o palco e interagiam entre si. O vocalista, com uma presença muito física e expressiva, criava constantemente gestos e posturas fortes, enquanto a relação com os restantes elementos da banda ajudava a construir imagens mais amplas e com maior sensação de conjunto.
Nesta sequência interessou-me alternar entre retratos mais próximos, momentos de interação e enquadramentos mais abertos, onde o palco, a luz e até o público passam a fazer parte da fotografia. O preto e branco ajudou a reforçar o contraste e a intensidade, enquanto algumas imagens a cores mantêm a força dos vermelhos e dos feixes de luz característicos daquela atuação.
Fotografar para guardar aquilo que vai desaparecer
Um concerto é, por natureza, algo profundamente efémero.
A banda termina, os amplificadores desligam-se, as luzes apagam-se e o palco fica vazio. As pessoas começam a sair e aquilo que existiu durante algumas horas deixa simplesmente de existir daquela forma.
Talvez seja precisamente por isso que a fotografia faça tanto sentido nestes lugares.
Uma fotografia não consegue reproduzir o volume, a vibração de uma guitarra ou a sensação física de estar diante de um palco. Também não consegue reproduzir exatamente aquela conversa com um amigo entre duas bandas ou a sensação de voltar a ouvir uma banda que tínhamos visto muitos anos antes.
Mas consegue guardar fragmentos.
Uma expressão, um gesto, uma luz, o movimento de um músico, uma pessoa no meio do público ou um reencontro.
No Faro Alternativo, pude juntar mais uma vez duas coisas de que gosto muito: fotografia e música. Mas percebi também que existe uma terceira parte igualmente importante: as pessoas.
Talvez seja por isso que continuamos a voltar. Voltamos pelas bandas, pela música e pela fotografia, mas voltamos também pelos amigos e pelos “brothers of metal” que, muitas vezes, só encontramos nestes lugares.
No final, as fotografias que ficam não são apenas registos de quem esteve em palco.
São pequenas partes de uma noite feita de música, luz, pessoas, reencontros e momentos que nunca se repetirão exatamente da mesma maneira.
E talvez seja precisamente isso que mais me interessa na fotografia de concertos: não apenas fotografar aquilo que vejo, mas tentar guardar um pouco daquilo que senti.
As configurações que usei nestas fotografias
As configurações que utilizei durante o Faro Alternativo partiram de uma ideia simples: ter velocidade suficiente para acompanhar o movimento dos músicos, aproveitar ao máximo a pouca luz disponível e manter controlo direto sobre a exposição. Não devem ser vistas como uma receita universal para fotografia de concertos, porque cada palco e cada iluminação são diferentes, mas funcionaram como ponto de partida durante esta noite.
Modo Manual
Trabalhei em Modo Manual, definindo diretamente abertura, velocidade e ISO. Num concerto, a iluminação pode mudar constantemente, mas muitas vezes existem períodos em que a intensidade se mantém relativamente estável. Nesses momentos prefiro manter a exposição sob o meu controlo, evitando que a câmara altere os valores apenas porque entrou no enquadramento uma zona muito escura ou um foco particularmente intenso.
O objetivo é chegar rapidamente a uma exposição que funciona e, a partir daí, concentrar-me mais naquilo que está a acontecer em palco do que nas configurações da câmara.
Sobre esta relação entre luz, exposição e as decisões do fotógrafo, desenvolvo o tema no artigo A matéria-prima da fotografia: luz, fotómetro, abertura, velocidade e ISO.
ISO 500 no palco exterior e ISO 1000 no palco interior
No palco exterior trabalhei maioritariamente com ISO 500, enquanto no palco interior subi para ISO 1000, acompanhando a menor quantidade de luz disponível.
Em fotografia de concertos não vejo o ISO elevado como algo que deva ser evitado a qualquer custo. Prefiro aceitar algum ruído digital e conseguir manter uma velocidade adequada do que baixar demasiado o ISO e terminar com fotografias comprometidas pelo movimento.
As câmaras atuais permitem trabalhar confortavelmente com valores bastante superiores a estes quando necessário. O ISO deve ser encarado como uma ferramenta para chegar à exposição de que precisamos, e não simplesmente como um valor que temos de manter o mais baixo possível.
Abertura f/1.4 e a importância de uma objetiva luminosa
Utilizei maioritariamente f/1.4, aproveitando uma objetiva luminosa para deixar entrar o máximo de luz possível.
Esta é uma das grandes vantagens de trabalhar com lentes luminosas em fotografia de concertos. Uma abertura de f/1.4 permite captar muito mais luz do que uma objetiva que tenha, por exemplo, uma abertura máxima de f/4 ou f/5.6. Essa diferença pode ser utilizada para manter uma velocidade mais rápida, baixar o ISO ou simplesmente conseguir fotografar quando a iluminação é muito reduzida.
Neste caso, interessava-me sobretudo conseguir manter velocidades suficientemente rápidas para acompanhar os músicos.
Naturalmente, trabalhar a f/1.4 também traz um desafio: a profundidade de campo torna-se bastante reduzida. A focagem precisa de ser rigorosa e, quando existem vários músicos em planos diferentes, dificilmente estarão todos perfeitamente nítidos. Mas essa característica pode igualmente fazer parte da linguagem visual, permitindo separar um músico do fundo e dirigir mais facilmente o olhar para aquilo que considero importante na fotografia.
É precisamente por isso que uma objetiva luminosa é uma das ferramentas mais úteis para quem fotografa regularmente concertos, assunto que desenvolvo no artigo Fotografia de concertos: configurações, lentes e método pessoal.
Velocidade entre 1/250s e 1/320s
Durante os concertos trabalhei sobretudo entre 1/250s e 1/320s.
A música que estava a fotografar envolve bastante movimento: músicos que mudam rapidamente de posição, cabelo em movimento, gestos bruscos, braços, instrumentos e vocalistas com uma presença muito física em palco. Uma velocidade demasiado baixa poderia transformar facilmente esse movimento em arrastamento indesejado.
Com 1/250s ou 1/320s consegui encontrar um equilíbrio entre congelar grande parte da ação e, ao mesmo tempo, não exigir demasiado do ISO.
Isto não significa que essas velocidades sejam obrigatórias. Há situações em que utilizaria velocidades mais rápidas e outras em que faria precisamente o contrário, escolhendo deliberadamente uma velocidade mais lenta para deixar algum movimento visível. Tudo depende da fotografia que queremos fazer.
No artigo sobre fotografia de concertos de metal em pouca luz abordo com mais detalhe este equilíbrio entre velocidade, abertura e ISO em condições difíceis.
Medição pontual
Utilizei medição pontual, sobretudo porque estamos perante um tipo de iluminação com contrastes muito fortes. Num mesmo enquadramento podemos ter grande parte do palco praticamente negro e, ao mesmo tempo, o rosto de um músico atingido por um foco extremamente intenso.
A medição pontual permite concentrar a leitura numa área muito pequena da imagem e perceber melhor aquilo que está a acontecer na zona que considero importante.
Como estava a trabalhar em Modo Manual, o fotómetro não alterava automaticamente a exposição. Funcionava sobretudo como uma referência para as decisões que estava a tomar. Em determinadas situações podia aceitar deliberadamente uma leitura diferente daquela que a câmara indicava, principalmente quando queria proteger as altas luzes ou deixar grande parte do palco mergulhada na sombra.
É exatamente esta relação entre aquilo que a câmara mede e aquilo que o fotógrafo decide que desenvolvo no artigo Modos de medição da luz.
Mais importante do que os números
nestes concertos, a minha base foi portanto Modo Manual, f/1.4, ISO 500 ou 1000, velocidades entre 1/250s e 1/320s e medição pontual. Mas os números são apenas um ponto de partida.
Se a iluminação mudasse, mudava também a exposição. Se o movimento aumentasse, poderia precisar de mais velocidade. E se tivesse mais luz disponível, poderia fechar um pouco a abertura ou reduzir o ISO.
Na fotografia de concertos, mais importante do que memorizar uma combinação de valores é perceber porque estamos a escolher cada um deles e aquilo que queremos preservar na fotografia. Quando essa parte está interiorizada, conseguimos dedicar muito mais atenção à luz, ao gesto e ao momento que está a acontecer à nossa frente.
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