Fotografia de Paisagem na Serra do Caramulo

Fotografia de natureza por: Pedro Henriques

Lugares onde o tempo escorre devagar e a água sussurra memórias.
Pedro Henriques convida-nos a ver, sentir e respirar a paisagem.

Entre as encostas verdejantes da Serra do Caramulo, as sombras frescas da mata da Ribeira da Fraga e os trilhos históricos da Rota do Linho, estende-se um território onde a água molda o silêncio — e a luz encontra tempo para desenhar.
Nesta galeria, Pedro Henriques convida-nos a mergulhar na essência destas paisagens do centro de Portugal, captando quedas de água escondidas, levadas esquecidas e recantos cobertos de musgo através da técnica da longa exposição.

Com recurso a filtros ND, tripé e sensibilidade para a luz suave que atravessa as copas das árvores, Pedro transforma a corrente de uma ribeira num véu, o som num sussurro, e a fotografia num registo poético do instante prolongado.

As fotografias desta galeria foram captadas em vários pontos da Beira Alta, com destaque para:

  • Parque do Santuário do Coração de Maria, Castelões
  • Rota do Linho, Castelões
  • Aldeia de Múceres
  • Ribeira da Fraga, Mortágua
  • Rio Criz, Santiago de Besteiros
  • Rio de Castelões, Tondela

Estes locais oferecem uma diversidade de paisagens naturais, entre trilhos de serra, cursos de água e pequenas aldeias marcadas pela tradição.

Um olhar atento sobre a paisagem

O Pedro Henriques conhece como poucos os trilhos, vales e recantos escondidos da região centro de Portugal. As suas fotografias e palavras levam-nos a caminhar com mais atenção — e a ver onde antes passávamos sem reparar.

Pedro, vives numa região com uma riqueza natural impressionante e vários percursos pedestres sinalizados (PR). Como vês o potencial fotográfico destes trilhos? Costumas integrar essas rotas nas tuas saídas fotográficas ou são mais uma consequência da procura por natureza e silêncio?

(Pedro): Sem dúvida que os percursos PR aqui na região — como a Rota do Linho, a Ribeira da Fraga ou mesmo os trilhos em torno do Rio Criz — são verdadeiros tesouros fotográficos. Mas, curiosamente, não foi o “potencial fotográfico” que me atraiu primeiro. Foi a necessidade de respirar, de me afastar do ruído, de caminhar sem pressa. A câmara veio atrás — quase como quem testemunha, mais do que procura.

Hoje, conhecendo melhor cada curva e cada inclinação destes caminhos, percebo que são espaços extraordinários para trabalhar a paciência visual. Há dias em que fotografo muito pouco, mas volto com a cabeça cheia. Outras vezes, uma luz inesperada, um nevoeiro repentino ou o reflexo de uma folha na água fazem-me parar tudo. É aí que o trilho deixa de ser só caminho — e passa a ser cenário, encontro e revelação.

Por isso, sim, integro cada vez mais esses percursos nas minhas saídas, mas não com o objectivo de “fazer fotografias bonitas”. Faço-os para escutar. E quando há silêncio suficiente… normalmente há uma imagem que pede para ser feita.

Hoje, conhecendo tão bem a região onde vives — os seus ritmos, trilhos, luzes e estações — sentes que já poderias organizar saídas fotográficas para outros fotógrafos, quer nesses PRs locais, quer noutros lugares que descobriste ao longo do tempo? Que papel poderia ter essa partilha no teu percurso enquanto fotógrafo?

(Pedro): Sim, confesso que nos últimos tempos tenho pensado cada vez mais nisso — em organizar saídas fotográficas aqui na região. Conheço estes trilhos quase como se fossem extensões do meu quintal: sei quando o nevoeiro costuma descer sobre Múceres, quando a luz atravessa o vale da Ribeira da Fraga de forma mais suave, ou até onde a água do Rio Criz ganha aquele brilho dourado ao fim da tarde.

Há muita gente que nunca pisou estes caminhos. Mesmo quem vive por perto muitas vezes não conhece verdadeiramente a riqueza destes percursos. Acho que seria bonito — e útil — partilhar esse conhecimento com outros fotógrafos. Mostrar-lhes não só os lugares, mas também o tempo certo para os ver. Aquilo que não está nos mapas.

E claro, essa partilha seria também uma forma de me reencontrar com o meu próprio olhar. Às vezes, é ao guiar outros que voltamos a ver com frescura. Quem sabe se, no meio de um grupo, alguém não me mostra um recanto que eu já não via há anos — mesmo passando ali tantas vezes.

Organizar essas saídas talvez seja o próximo passo natural. Um prolongamento do caminhar… com mais olhos a ver.

Pedro, tens partilhado no nosso blog várias imagens e reflexões sobre esta região que tão bem conheces. Antes de mais, obrigado — é um privilégio poder mostrar esse olhar atento e sensível a quem nos lê. Sentes que esta partilha — além de dar visibilidade ao teu trabalho — é também uma forma de levar estes lugares a mais pessoas? De lhes dar uma nova vida, através da fotografia?

(Pedro): Antes de mais, agradeço eu o convite e o espaço. Ter estas partilhas no vosso blog tem sido uma forma muito bonita de juntar duas coisas que me são essenciais: caminhar com tempo e fotografar com atenção.

Sempre acreditei que a fotografia não serve só para guardar o que vimos, mas também para dar a ver aos outros. E se através das imagens que partilho consigo despertar a curiosidade de alguém para visitar Castelões, percorrer a Rota do Linho ou simplesmente parar junto ao Rio Criz… então a fotografia cumpriu um papel maior.

Há muitos recantos aqui no centro de Portugal que passam despercebidos, até para quem vive perto. Se as minhas imagens puderem ser uma espécie de convite — silencioso, mas sentido — para que mais pessoas venham conhecer esta terra com tempo e respeito, fico feliz. Porque no fundo, quando fotografamos um lugar com cuidado, também o protegemos um pouco.

Sobre o autor das fotografias

Pedro Henriques é fotógrafo a residir em Tondela, com interesse particular por longa exposição, macrofotografia, fotografia de eventos e composições construídas com cuidado e uma abordagem contemplativa à imagem.

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