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Fotografar com Intenção: Dicas, Pensamentos e Processos

Fotografia de Rua: 35mm vs 85mm — Dois Olhares, Duas Cidades

Na fotografia de rua, cada lente é um convite a olhar o mundo de forma diferente.
Há uns meses caminhei pelas ruas de Évora com uma 35mm fixa. Mais recentemente, aventurei-me por Ayamonte, em Espanha, apenas com uma 85mm. Duas cidades, duas distâncias focais, dois resultados que parecem quase opostos.

A escolha da lente não é apenas uma decisão técnica — é uma forma de definir como nos aproximamos das pessoas, da arquitetura, da luz e da narrativa que queremos construir.

Fotografar a rua é um exercício de estar presente.
Paulo Teixeira
Fotógrafo/Formador

O olhar da 35mm em Évora

Com uma 35mm, senti-me dentro da cidade. Esta lente obriga-nos a estar próximos, a mergulhar no espaço, a sentir o ritmo das ruas.
Em Évora, fotografei não só monumentos mas também detalhes, sombras, sobreposições de planos, procurando sempre ir além do postal turístico.

A 35mm favorece:

  • Contextualizar pessoas e arquitetura na mesma fotografia.
  • Trabalhar camadas de planos, da rua ao fundo da cidade.
  • Criar narrativas rápidas, próximas e imersivas.

É a lente da proximidade e da espontaneidade — onde cada passo que damos muda radicalmente a composição.

Fotografias realizadas com uma lente fixa 35mm:

Não esperes pela fotografia perfeita, procura a fotografia verdadeira.
Paulo Teixeira
Fotógrafo/Formador

O olhar da 85mm em Ayamonte

A experiência em Ayamonte foi radicalmente diferente. A 85mm dá-nos distância, mas também compressão e intensidade.
Fotografei silhuetas, contrastes de luz artificial com luz natural, expressões que, com outra lente, poderiam passar despercebidas.

A 85mm favorece:

  • Destacar sujeitos isolados em meio ao caos urbano.
  • Trabalhar fundos desfocados e mais limpos.
  • Criar imagens quase teatrais, onde a rua se transforma em palco.

Aqui, a fotografia torna-se mais seletiva, mais contemplativa. Deixamos de ser parte da multidão para sermos observadores atentos.

Fotografias realizadas com uma lente fixa 35mm:

Dois olhares, a mesma cidade (interior e exterior)

O que senti nestas experiências é que a lente condiciona o meu corpo e a minha forma de estar na rua:

  • Com a 35mm, caminho dentro da cena. Aproximo-me. Ouço, sinto, interajo.
  • Com a 85mm, recuo. Espero. Observo. A ação vem até mim.

Ambas são fotografia de rua, mas o resultado final são universos diferentes.

A cidade é um palco: observa, espera e deixa a história acontecer.
Paulo Teixeira
Fotógrafo/Formador

A Voz do Fotógrafo

Se tivesse de resumir:

  • A 35mm é o olhar do participante.
  • A 85mm é o olhar do espectador.

E é nesse jogo que a fotografia de rua se torna tão fascinante: não há certo nem errado, apenas diferentes formas de contar o mesmo espaço, a mesma vida.

Porque escolhi lentes fixas e não zoom

Uma questão que me perguntam muitas vezes é: porquê usar lentes fixas em vez de uma zoom?
No caso destas experiências em Évora (35mm) e Ayamonte (85mm), a resposta é simples: a abertura máxima.

Ambas as lentes que utilizei permitem abrir até f/1.4, algo muito útil quando fotografo em sombras densas, interiores pouco iluminados ou mesmo à noite.
Essa abertura não só garante velocidades de obturação mais rápidas, como também me dá a possibilidade de criar fundos desfocados e destacar melhor o motivo principal.

Além disso, usar uma lente fixa obriga-me a mover o corpo, procurar ângulos e composições, tornando a experiência de fotografar na rua ainda mais física e criativa.

E se só tiveres a lente de kit?

Talvez estejas a pensar: “Mas eu só tenho a 18-55mm ou até uma 18-200mm…
Deixa-me dizer-te: isso não é desculpa para não fazer fotografia de rua.

Essas lentes são versáteis e permitem-te experimentar tanto a proximidade de uma grande angular como a compressão de uma tele curta.
Mais importante do que a lente é a tua disponibilidade para observar, esperar, interagir e criar.

Sugestão prática:

  • Escolhe uma distância focal da tua lente (por exemplo, 35mm ou 50mm) e fotografa o dia todo só com ela. Vais sentir na pele o mesmo exercício de disciplina que fiz com as lentes fixas.

A fotografia de rua vive do olhar e da intenção, não do equipamento.

Conclusão

Fotografar na rua é, acima de tudo, um exercício de liberdade.
Não importa se tens uma lente de 35mm, uma 85mm ou apenas a lente de kit — o que realmente conta é o olhar que levas contigo.

Sai de casa, caminha devagar, observa as sombras, os reflexos, os gestos das pessoas. A rua é imprevisível, mas é também um palco onde a beleza se revela nos detalhes mais simples.

Não te limites pelo equipamento ou pela ideia de “não estar preparado”. A prática constante, a curiosidade e a vontade de experimentar são as verdadeiras ferramentas para evoluir.

A beleza está à tua volta. Cabe-te a ti escolher vê-la — e fotografá-la.

Queres aprender a contar histórias com a tua câmara?

Junta-te à formação de fotografia em Faro (Algarve) — workshops com experiências práticas, intensivas e inspiradoras, criadas para te ajudar a ver o mundo com novos olhos e dominar a arte de fotografar com intenção.

Picture of Paulo Teixeira

Paulo Teixeira

Este blog nasceu da vontade de partilhar conhecimento de forma genuína e acessível. Acredito profundamente que a troca de ideias e experiências é uma das formas mais ricas de crescer — não só enquanto fotógrafo, mas também enquanto pessoa. Aqui, não vais encontrar fórmulas mágicas nem atalhos vazios, mas sim reflexões, dicas práticas e conteúdos com propósito, criados para inspirar e ajudar quem está neste caminho da fotografia.

Para mim, aprender fotografia é sobretudo aprender a ver o mundo com outros olhos. Por isso, privilegio o contacto directo, as sessões práticas, as conversas informais e as perguntas simples (mas importantes). A experiência no terreno, os erros que cometi e os métodos que resultaram são o que partilho aqui, sempre com o intuito de tornar o processo de aprendizagem mais claro e gratificante.

Acredito numa aprendizagem contínua e mútua. Este blog não é apenas um espaço para ensinar, mas também para aprender contigo — com as tuas dúvidas, experiências e visões. Se este espaço te fizer pensar, experimentar ou ver de forma diferente, então já está a cumprir o seu propósito.

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